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No Emmy Awards, os integrantes de uma categoria votam nos indicados daquela mesma categoria. Ou seja, roteiristas votam no roteiro, diretores em direção, e elenco nas categorias de elenco. Jon Cryan (Alan Harper de Two And a Half Men), já deixou claro qual é a sua preferência para esse ano para Melhor Ator em Série Dramática: Jon Hamm (Mad Men). E estou com ele nessa escolha.

Sempre defendi a teoria que Jon Hamm só não venceu o Emmy antes nessa categoria porque Bryan Cranston e seu Walter White em Breaking Bad existia. E provo essa teoria: desde 2008 (ano da primeira indicação dos dois nessa categoria por suas respectivas séries), Cranston venceu por quatro vezes. As outras quatro conquistas foram ‘pontuais’, ou porque Breaking Bad ou Mad Men não eram elegíveis (já que a AMC dividiu algumas temporadas dessas séries em duas partes), ou porque as injustiças acontecem no Emmy Awards, e todo mundo sabe disso.

Um exemplo de injustiça foi na temporada 2010-2011 (63th Emmy Awards), onde Kyle Chandler venceu a categoria de Melhor Ator em Série Dramática, por Friday Night Lights. Nesse ano, Bryan Cranston não estava indicado, e tudo indicava que Hamm finalmente levaria o prêmio, depois de perder para o intérprete de Walter White nos últimos três anos. Porém, o corporativismo rolou solto, e como era a temporada final de FNL, eles decidiram eternizar o Coach Taylor.

Ironicamente, esse é um dos motivos pelos quais Jon Hamm merece ganhar: eternizar Don Draper como um dos personagens mais icônicos da história da TV.

Em 2011-2012 (64th Emmy Awards), Hamm e Cranston perderam para a atuação soberba de Damien Lewis em Homeland. Aqui, não houve injustiça. Foi o frescor da novidade oferecida pelo Showtime, e porque a atuação de Lewis foi realmente espetacular na primeira temporada da série.

E em 2012-2013 (65th Emmy Awards), a maior injustiça de todas. Com Cranston indicado pela primeira metade da temporada final de Breaking Bad, e Jon Hamm mais uma vez indicado por Mad Men, quem venceu na categoria foi Jeff Daniels, por The Newsroom. Ok, eu entendo que a série da HBO foi muito boa na primeira temporada, e que o personagem de Daniels era o eixo central da trama. Mesmo assim… rolou um baita corporativismo ali.

E que fique o registro que Daniels deveria ter esse Emmy recolhido, já que topou fazer Debi & Lóide 2…

Enfim, chegou a hora para Jon Hamm levar esse Emmy de Melhor Ator em Série Dramática. Apesar da categoria contar esse ano com dois ‘fantasmas do passado’ (Kyle Chandler por Bloodline, e Jeff Daniels por The Newsroom), e por Bob Odenkirk (Better Call Saul) e Kevin Spacey (House of Cards) serem considerados ameaças (não… não acredito nem nos meus mais loucos pesadelos que Liev Schreiber possa vencer por Ray Donovan…), acho que o principal critério nesse ano é a relevância do personagem Don Draper para a TV, assim como o talento de Hamm para compor esse interessantíssimo personagem.

Se o Emmys 2015 vai homenagear Mad Men por tudo o que ela representa para a TV norte-americana, tal homenagem não é completa se o seu protagonista não for finalmente coroado por comandar essa obra de forma única. Quero imaginar que dessa vez os votantes vão repetir os exemplos feitos com James Gandolfini (The Sopranos) e James Spader (Boston Legal), que venceram nas suas temporadas finais, para fechar com chave de ouro a passagem do personagem pela TV.

Chegou a hora de Jon Hamm ser eternizado por Don Draper. Finalmente.