doctor who

A BBC anunciou que Jodie Whittaker será a décima terceira encarnação de Doctor Who. É a primeira vez que uma mulher será protagonista da série.

Obviamente, isso resultou em opiniões conflitantes. Deixando os detratores falando sozinhos, vamos ver as lições que a BBC e os fãs da série em torno dessa escolha.

A principal lição é a decisão em si. A BBC decidiu cumprir com o seu compromisso com o tema da diversidade. Logo, desde o anúncio de Jodie como Doctor, as críticas vieram com velocidade e por todos os lados, inclusive com uma forte polêmica entre os veículos britânicos.

O que destacamos aqui é a representação mista e diversa do mundo do entretenimento: o mundo não é mais centrado em protagonistas homens brancos. Felizmente, isso está mudando, e a moda da representatividade das mulheres e das minorias nos papeis mais significativos da cultura popular está se tornando algo permanente.

Outra lição é a necessidade de estabelecer uma igualdade salarial nos gêneros.

Em todo o mundo, as mulheres recebem menos que os homens, mesmo realizando o mesmo trabalho. Em Hollywood, a discussão está aberta em várias frentes, já que a brecha existe, e afeta diretamente as mulheres.

A lição aqui? Jodie Whittaker vai receber o mesmo que o seu antecessor, Peter Capaldi, para ser a protagonista de Doctor Who (um salário entre 200 mil e 250 mil libras).

Esta paridade salarial aconteceu diante de uma reportagem que evidenciava o sexismo e uma grande brecha de gênero na BBC. E o canal diz “nunca é tarde para corrigir o erro”. Já outros dizem: “faz tempo que é tarde, mas é muito bom que o erro foi corrigido”.

Pese aos imbecis que acham que essa decisão é o fim do mundo, a grande maioria dos “whovianos” estão de acordo e entusiasmados em ver uma mulher como a décima terceira doctor.

Uma pesquisa realizada pelo RadioTimes.com envolvendo pelo menos 12 mil pessoas revela que 15% dos entrevistados afirmaram que a escolha de Jodie foi “terrível”. Os demais se dividem entre 40% que acharam a decisão “fantástica” e 43% esperam ver a atriz em ação para chegar a uma conclusão.

Este último dado é “normal”, já que os fãs da série estão acostumados a mudanças, e se dão o benefício da dúvida a cada novo doctor.

Por outro lado, esta não foi a única pesquisa que indica que os fãs estão abertos à uma mulher como doctor. No Brandwatch, 80% de menções são positivas sobre a nova “Senhora do Tempo” de Doctor Who.

O fato de tudo isso ser um problema em 2017 é bem ridículo, mas o mais chocante é o número de pessoas enjoadas com uma mulher como Doctor. Caramba, finalmente uma mulher vai ter uma chance. Vamos dar uma chance para ela!

E todo esse problema só mostra em como o caminho até a igualdade de gêneros ainda é longo, enfrentando uma forte resistência, a cólera dos insensatos e a hostilidade dos imbecis.