Shonda Rhimes

Tenho pena dos comentaristas de título nesse momento, pois vão perder a explicação sobre tal afirmação. Mas vamos fazer a nossa parte e explicar, com calma, o motivo desse post. E, para bom entendedor (ou para quem está por dentro dos paranauê das séries), não vai ser difícil compreender por que estamos anunciando o “fim” do The New York Times.

A editora Alessandra Stanley, do já citado jornal, escreveu um artigo publicado ontem (19), que começa com a seguinte frase:

When Shonda Rhimes writes her autobiography it should be called ‘How to Get Away With Being an ‘Angry Black Woman’.

E fica pior que isso.

Alesandra se apoia em três personagens negras das séries de Shonda para justificar sua “teoria”: Olivia Pope (Kerry Washington, Scandal), Miranda Bailey (Chandra Wilson, Grey’s Anatomy, e Annalise Keating (Viola Davis, How to Get Away With Murder). Para a editora, as três nada mais são do que repaginações autobiográficas de Rhimes, reforçando o esteriótipo de que as mulheres negras de suas séries são bravas, tensas, irritadiças…

E isso acontece porque Shonda Rhimes seria assim (palavras da editora, não minhas).

Porém, o discurso de Stanley tem as suas falhas. Ela afirma que tais personagens negras mostram as figuras de autoridade diante de todos, mas ignora o fato que essas mesmas personagens infelizes em vários momentos de sua vida particular, mostrando muitas vezes suas vulnerabilidades e complexidades que realmente definem essas personagens.

Sem falar que Stanley ignora completamente o fato que Shonda Rhumes NÃO criou How to Get Away With Murder. Esta é uma série de Pete Nowalk.

De forma não surpreendente, Shonda Rhimes foi ao Twitter se defender da matéria, mencionando várias vezes o Twitter do New York Times, lembrando da participação de Nowalk nas produções, que em diversas vezes também mostrou outras personagens furiosas, tensas e irritadiças em suas séries que não eram negras (Meredith, Addison, etc), e que basicamente é uma romancista que conta histórias que precisam ter um fundo de verdade em algum momento.

Stanley respondeu aos comentários de Shonda em um comunicado para o The Hollywood Reporter, dizendo que o ponto principal de sua matéria é mostrar como Shonda Rhimes conseguiu ser bem sucedida, mesmo colocando esse esteriótipo em suas séries.

Porém, ao que tudo indica, Staney perdeu uma chance de ficar calada. O que Shonda faz não é colocar um simples esteriótipo comum para as mulheres negras de suas séries (até porque não são todas as personagens negras de Shonda que são assim). Ela simplesmente cria essas personagens como pessoas. E colocar todas as personagens negras dela dentro de um mesmo esteriótipo é que é o verdadeiro problema, e não uma solução.

E, por conta de tudo isso, declaramos o “fim” do The New York Times. Afinal de contas, ninguém deve provocar Shonda Rhimes dessa forma. Quem ouve o SpinOff Podcast sabe o que pensamos dessa mulher (que respeitamos muito, que fique bem claro).

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