Você viu a premiação (e se não viu, agora pode ver os vencedores). Agora, vamos analisar os resultados. Tentaremos compreender os erros e os acertos do Golden Globe Awards 2013, e quem sabe, traçar um cenário de como os jornalistas estrangeiros norte-americanos estão vendo o mundo das séries (ou algo do gênero). A seguir, nossas impressões sobre os vencedores da premiação.

– Melhor atriz coadjuvante (série, minissérie ou telefilme): Maggie Smith, Downton Abbey

Bem óbvio, porém, muito merecido. Ela segue dando um show na série da PBS, e merece vencer em qualquer premiação que for indicada. Primeiro, porque poucas tem a capacidade de interpretação dela. Segundo, porque está muito bem na série. Terceiro, não sabemos por quanto tempo ela ainda será indicada. E quarto: você não achou mesmo que a vencedora seria a Hayden Panettiere, achou?

– Melhor minissérie ou telefilme: Game Change

Também era o vencedor esperado. É o atual vencedor do Emmy Awards, e a produção está perfeitamente alinhada com a proposta norte-americana de televisão. Fora que é um dos melhores trabalhos da HBO em 2012.

– Melhor atriz (minissérie ou telefilme): Julianne Moore, Game Change

Mais uma que era esperado vencer. Moore É a Sarah Palin. E digo mais: mais que a Tina Fey, algo que era considerado impossível.

– Melhor ator (série dramática): Damien Lewis, Homeland

Esperado e merecido. Faz um Brody simplesmente impressionante, e está na série do momento. Muita gente reclamou pelo fato de Bryan Cranston (Breaking Bad) não ter levado o prêmio. Eu digo “calma”… a temporada final de Breaking Bad ainda não terminou, e ainda acho que a série deve levar alguns Emmys pelo seu final. Principalmente o Emmy de melhor ator de drama.

– Melhor série dramática: Homeland

Me perdoem os fãs das outras séries, mas Homeland é sim a melhor série dramática da atualidade. Desde sua estreia, a produção de Alex Gansa e Howard Gordon levou todos os principais prêmios do segmento, onde os principais trunfos da produção são a regularidade e um roteiro simplesmente impecável e perfeitamente bem amarrado. Quem vê a série não passa indiferente a nenhum episódio, e merece estar no lugar que está.

– Melhor ator (minissérie ou telefilme): Kevin Costner, Hatfields & McCoys

Mais um que foi considerado uma barbada no Golden Globes. Até achei que Benedict Cumberbatch (Sherlock) tivesse mais chances aqui do que no Emmys, mas a maior audiência da TV a cabo nos Estados Unidos em 2012 (e mais: sendo exibida pelo History Channel) pesaram. Sem falar que, para a imprensa estrangeira, estamos falando de Kevin Costner. O nome pesa.

– Melhor ator coadjuvante (série, minissérie ou telefilme): Ed Harris, Game Change

Mais um que era esperado. No papel de Joe Biden, faz o coadjuvante ideal para Sarah Palin/Julianne Moore brilhar.

– Melhor ator (série de comédia): Don Cheadle, House of Lies

Todos os anos, a Associação de Jornalistas Estrangeiros de Hollywood dá “aquela trollada” no mundo. No Golden Globes 2013, a trollada foi esse prêmio. Aliás, a categoria como um todo foi bem fraca e caindo no lugar comum: todo mundo se cansou de Alec Baldwin e Jim Parsons, o Matt LeBlanc segue fazendo o Joey, e quem é que foi que disse que o Louis C.K. é ATOR de comédia? Logo, mesmo achando bem suspeito… sobrou para o Cheadle!

Melhor atriz (série dramática): Claire Danes, Homeland

Mais que merecido, ainda mais depois que descobrimos que Danes gravou os últimos episódios da segunda temporada de Homeland com uma gravidez de oito meses… e ninguém percebeu disso ao ver a série (na sua cara, Shonda Rhimes). Se dependesse de mim, eram dois prêmios: um para ela, e outro, para o bebê!

– Melhor atriz (série de comédia): Lena Dunhan,
Girls

Todo mundo que ouve o SpinOff Podcast sabe o que eu penso de Girls, certo? Mas vamos deixar isso de lado, por enquanto. Pensemos com racionalidade: Lena Dunhan é realmente melhor ATRIZ DE COMÉDIA que Julia Louis-Dreyfuss (atual vencedora do Emmy Awards) e Amy Poehler (Parks and Recreation)? Estou até tirando a Tina Fey, que por diversas vezes disse que não se considera atriz. Bom, só consigo entender que Dunhan venceu pelo hype que sua série tem hoje, e não por efetivamente ser uma boa atriz. Mas isso, na minha opinião, ok?

– Melhor série de comédia: Girls

A série do momento para os jornalistas e os críticos norte-americanos, ou seja, era esperado a vitória aqui (ainda mais depois que Lena Dunhan venceu como melhor atriz sendo inferior a algumas indicadas). Agora, se isso a credencia como melhor série… na minha opinião, não. Girls é superestimada, sendo no máximo uma série “ok”. É diferente na sua linguagem e proposta, e isso pode ter lhe rendido o prêmio. Mas não creio que pode superar Modern Family no prêmio que realmente vale a pena, os Emmy Awards (ainda mais com uma quarta temporada tão boa). Por outro lado, The Big Bang Theory, Episodes e Smash também não mereciam vencer. Logo, os jornalistas deram o prêmio para “o novo e diferente”. E para Lena Dunhan, acima de tudo.