Sem tanto hype como no passado, hoje estreia nos Estados Unidos a decima segunda temporada de American Idol, com a sua já tradicional semana inicial de seletivas, com dois episódios duplos. Mas, depois de 12 anos, não podemos mais dizer que Idol tem aquele mesmo aspecto de inovação do passado. Na verdade, o programa se tornou mais uma jogada de marketing como tantos outros, mas sem surpreender a audiência com suas tentativas de variação na fórmula e, principalmente, no conteúdo.

Mas o “fator surpresa” é essencial para um sucesso contínuo na TV? Ou a fórmula Idol de realitys segue sendo relevante para competidores e telespectadores? E a pergunta mais importante de todas: vale a pena assistir a nova temporada? Ou é melhor gastar o tempo assistindo outra coisa? Abaixo, alguns argumentos válidos para o “assista” ou o “não assista”.

Sangue novo

Assista: com a entrada de novos jurados (Mariah Carey, Keith Urban e Nicki Minaj), o programa ganha em diversidade musical e visibilidade. Os executivos da Fox acreditam que a inclusão dos novos jurados revigorou o programa, principalmente pelo fato de oferecer novas visões dentro do cenário atual do mercado musical. Além disso, algumas audições foram realizadas em cidades consideradas menores, o que muda as perspectivas na aquisição de novos candidatos.

Não assista:
a bancada de jurados vem mudando muito nos últimos anos, e nessas mudanças, está muito claro que se perdeu o aspecto do “a busca pelo novo superstar” (como o próprio programa propõe) para ser uma oportunidade muito interessante de negócios para os envolvidos. Steven Tyler, Kara DioGuardi e Jennifer Lopez são ótimos exemplos de artistas que deram uma bela impulsionada em suas já bem sucedidas carreiras por participarem de American Idol. Não é de se duvidar que Mariah, Minaj e Urban façam o mesmo. Isso, sem falar que a capacidade das duas novas juradas em avaliar cantores é algo, no mínimo, bem questionável.

Representatividade nos gêneros musicais

Assista:
American Idol é um sucesso por ajudar a colocar no mercado alguns dos melhores artistas pop e country dos últimos 12 anos. Kelly Clarkson e Carrie Underwood são ótimos exemplos disso. A inclusão de Urban, que está no universo country aumentam as possibilidades de encontrar mais um grande artista do segmento. Urban, apesar de ser da Nova Zelândia, viveu 20 anos em Nashville, a meca da música country nos EUA.

Não assista:
se você é fã de rap ou hip-hop, esqueça essa temporada de American Idol. Nicki Minaj já afirmou que não acha que um rapper tem que estar nesse tipo de competição, e não acredita que um rapper (ou um artista de hip-hop) genuíno vai estar em um programa como esse. Além disso, Nigel Lythgoe, produtor do programa, afirma que “hip-hop é um estilo de vida, e não um gênero musical típico de Idol“. Preciso dizer mais alguma coisa?


Audiência

Assista: American Idol ainda entrega uma boa audiência para a Fox. É claro que não é a mesma coisa do seu auge (mais de 35 milhões de média), mas o final do ano passado deu uma audiência de 21.49 milhões de média, o que resulta em uma diferença muito grande em relação aos seus concorrentes do gênero (The X Factor, com 9.65 milhões, The Voice, com 12.28 milhões e America’s Got Talent, com 10.59 milhões – todos esses números relacionados aos finais de suas respectivas temporadas).

Não assista:
dito tudo isso, os números de American idol vem despencando ao longo das últimas temporadas. O final da temporada 11 registrou uma queda de audiência de 25% em relação ao final da temporada 10. Tudo bem que existem muitas outras opções de entretenimento hoje, com vários canais de TV aberta e a cabo, internet, streaming, Netflix, Hulu e derivados, e cada um dos realitys musicais (incluindo The Voice, que é considerado um hit na NBC) perderam, em média, de 18 a 20% de sua audiência de uma temporada para outra. Mesmo assim, Idol perdeu mais que os outros. E esse é um sinal claro de alerta.

Capacidade de produzir grandes astros


Assista:
American Idol é ainda o único reality musical que criou artistas de sucesso, reconhecidos no mundo todo. Kelly Clarkson e Carrie Underwood, mais uma vez, são a prova disso, e os últimos 11 vencedores do programa venderam (somados) mais de 200 milhões de cópias de seus discos. Você pode não mais ter ouvido falar de Phillip Phillips, vencedor da temporada 11, mas ele obteve platina triplo do seu single vencedor do programa, “Home”. E, no ano passado, só Adele conseguiu isso. Ah, sem falar no sucesso e não-vencedores, como Jennifer Hudson e Katharine McPhee, no cinema e na televisão.

Não assista: o sonho de ser o vencedor de American Idol está restrito a um único tipo de artista? Exemplo: as jovens cantoras simplesmente foram descartadas da lista de vencedoras nas últimas cinco temporadas, onde só os homens venceram. E pior: nas últimas temporadas, o que dominou o cenário central do vencedor foi aquele artista com uma guitarra ou violão na mão. Lythgoe afirma que, em 2013, as mulheres estão muito fortes para vencer, mas todos os anos ouvimos a mesma coisa, e no final, não são os critérios musicais que determinam o vencedor. Cantar é só um detalhe. A fórmula Idol em muitas vezes resultou que os fatores carisma, personalidade e “tenho cara de sofrido, votem em mim” foram mais importantes na escolha da audiência do que o fato de ser o melhor cantor (ou cantora).

Então… você vai assistir American Idol nessa temporada? Ou vai deixar de ver as brigas entre Mariah e Minaj?