american crime

 

Crime é crime em qualquer lugar. Concorda?

A terceira temporada de American Crime estreou nos Estados Unidos com uma audiência baixíssima, mas isso não é importante. Afinal de contas, a série já está acostumada a isso. Nem é para ser um fenômeno de audiência por conta dos temas que trata. O mais importante é que seus criadores, produtores e roteiristas querem seguir enfiando o pé na jaca, polemizando com crimes das mais diversas espécies.

Com o objetivo de tirar o norte-americano médio da sua zona de conforto. Chocar o cidadão comum. Colocar o telespectador para pensar.

 

A terceira temporada de American Crime acontece em uma pequena cidade da Carolina do Norte. Sabe, uma típica cidade do interior, pacata, onde todo mundo conhece todo mundo, mas não conhece tudo o que todos fazem. Entre divórcios, delinquência juvenil e fazendeiros tentando se recuperar de uma crise econômica, tem sempre alguém que está transando com uma menor de idade, um primo fazendo o outro primo de garoto de programa e um marido que desaparece.

Sem falar nos imigrantes ilegais que tentam passar a fronteira da Califórnia (e pelo menos um deles querendo chegar na dita cidade da Carolina do Norte) e um corpo boiando nas águas.

Todas essas histórias vão se entrelaçar em uma trama maior, que deve descortinar a realidade de muita gente. E seus segredos supostamente bem escondidos.

 

 

American Crime chega ao seu terceiro ano com qualidade consagrada, e com uma proposta de entretenimento televisivo muito bem definida. Não é uma produção para o grande público, o que explica as baixas audiências. Na verdade, séries como essa tem duas missões primordiais: a primeira é trazer prestígio para a ABC (e, quem sabe, alguns prêmios), e a segunda é aquela que disse no começo do texto: chocar o norte-americano médio.

Nas três temporadas, American Crime decidiu contar crimes que são muito próximos daquilo que a sociedade norte-americana vive, em maior ou menor grau de visibilidade. E é por isso que ela se diferencia das demais, até mesmo de American Crime Story, muito aclamada pela crítica. A antologia de Ryan Murphy é baseada em grandes crimes históricos. Já a série da ABC pode até ser baseada em fatos reais, mas com todos os elementos criados do zero.

Outro grande trunfo da produção da série é oferecer um roteiro corajoso, consistente e bem traçado. Cada temporada mostra claramente como quem está contando essas histórias sabe o que está fazendo,  sabe a história que quer contar e onde quer chegar com esse tipo de série.

 

Isso tudo faz de American Crime uma série difícil de ser assistida.

Apesar da estreia da terceira temporada ser menos impactante que a da segunda (onde vários temas foram como tapas na cara da sociedade), o piloto que estreou recentemente nos Estados Unidos é tenso. Pesado. Polemiza com os temas centrais da temporada de forma que não deixa meias palavras. Dá recados diretos sobre o que vai falar, e deixa claro que o telespectador precisa se preparar para o que está por vir.

Sem falar que aproveita bem o momento. Falar da polêmica dos imigrantes ilegais nesse exato momento ajuda a atrair a atenção de alguns para o que a série tem a dizer sobre esse assunto.

 

Posso dizer que American Crime deve mais uma vez seguir um terreno seguro no desenvolvimento de sua trama. Acho muito pouco provável ver a série errando feio na história a ser contada na temporada. Sobre uma eventual renovação, é sempre muito complicado opinar qualquer coisa logo no começo, mas fico na torcida que a ABC mantenha a tradição de olhar mais para o prestígio que a série traz para o canal a longo prazo do que para os números da audiência.

De novo: a série é ótima, a estreia da temporada disse a que veio, mas não é uma série de fácil digestão para a maioria. Apenas os fortes vão prosseguir até o fim.