Como eu prometi, lá fui eu assistir aos 85 minutos da premiere da “fantástica” e “espetacular” The Cape. Coberto de preconceitos contra a série da NBC, e tudo porque até então só tinha visto aquele promo horrível. O piloto apenas confirmou o quão ruim a série é, e nas próximas linhas seguem meus argumentos de porque eu considero o chorume do nosso lixo mais reciclável que The Cape. Spoilers? Quem se importa com spoilers numa série como essa?

Com 3 minutos de episódio, já há um efeito especial terrível na explosão do carro (com o novo chefe de polícia dentro) Muito Ruim. Policiais corruptos com cara de bandidos (quem não viu isso antes?). Sem contar que temos o melhor e mais bem informado blogueiro (ou blogueira) do mundo nesta série. Aliás, não precisa ser nenhum jogador de xadrez para saber que o mascarado Chess é o tal chefão da ARK. Fora que, ser traído pelo seu amigo/sidekick é um dos argumentos mais fracos e previsíveis possíveis.

Beleza. O policial honesto é acusado injustamente de ser o Chess. Milhares de policiais fortemente armados, atiram à esmo, sem acertá-lo. Helicópteros participam da busca. E não acertam o cara. Ele entra no sistema de esgotos do local um pouco antes do caminhão de combustível explodir. O troço explode… e ele já é dado como morto? Não procuram o cadáver desse cara? Aliás… POR QUE NÃO PROCURARAM NO BURACO ONDE ELE ENTROU?

E o circo mambembe? Poucas coisas são tão humilhantes quanto você apanhando de um anão. Fora que a galera do circo mambembe são ladrões profissionais. Legal… agora, vamos falar com sinceridade: dá pra você se sentir realmente intimidado com um anão entrando em um banco, e palhaços e contorcionistas anunciando um assalto? Fora as escopetas atirando pra cima, você vai achar que é um viral de um circo que está chegando na cidade, certo? Ok, para mim, foi isso. Fora que é uma coisa patética você fazer uma dancinha ridícula durante o assalto, no ritmo de uma música imaginária. E o pior: um guaxinim ladrão. Sim, amigos… UM GUAXINIM LADRÃO! Poderia parar por aqui, mas espere. Tem mais!

Mais clichês: o morto indo ao próprio velório (de um corpo que não existe, repito), e ninguém o vê, mesmo sendo em um local aberto. Aliás, um detalhe que estava me escapando: a capa não é mágica. Se ela fosse mágica, faria mais sentido. Porém, o nosso herói quer combater o crime com uma capa comum, apenas com movimentos parecidos com o do grupo Locomia. Sério! Aí, explicam para ele que ele precisa de uma mega armadura, uma capa feita com teias de aranha (que são mais fortes que Kevlar), e aí sim… temos um super herói vestido com uma capa digitalizada mal feita… com movimentos parecidos com o do grupo Locomia!

Os amigos bandidos do circo mambembe começam a ensinar tudo o que ele precisa saber para combater o crime. Sim, pois ele praticamente é apenas um otário com iniciativa. Mas, com alguns minutos de episódio, ele aprende tudo. Não se preocupem. Ah, e a capa quase não cobre o rosto dele, mas ainda assim, ninguém consegue identificá-lo. Incrível! Outra coisa: um bandido fudidex, com uma arma de fogo, ao invés de metralhar a cabeça dele, resolve acorrentá-lo e jogá-lo ao mar, dando para o herói o prato cheio para usar a sua arma: o ilusionismo! Aí, polícia das grandes cidades: ilusionismo é a arma!

E a blogueira? Como eu disse, é a melhor blogueira do mundo. Prova que todos (eu disse todos) os outros blogeiros do mundo não passam de pobres fudidos. Ela tem um carrão, mora em uma casa enorme, tem um mega-ultra-foda computador… e é uma delatora de policiais corruptos! Altruísmo? Ou falta de louça pra lavar em casa? Vocês decidem.

Seguindo… o anão do circo mambembe é o cara mais forte de toda a série. Não importa o tamanho do bandidão, ele sempre vence. Outra coisa: péssima propaganda para a Nokia ao colocar um celular velho da empresa como detonador de bombas. Outro lembrete: se você é um policial dado como morto que usa apenas uma capa que mal protege o seu rosto, evite falar com o seu filho, usando a mesma voz. Mesmo que seja para se passar pelo herói dos quadrinhos dele. Mais: se você é dado como morto, não vá fazer compras. E nem leve a sua capa por debaixo da roupa. Pode acontecer um assalto, e você corre o risco de ser reconhecido.

A palhaçada continua: o bandido cozinheiro abre a segunda parte. Para que? Para que com uma receita de veneno culinário consiga penetrar a, até então, impenetrável armadura do herói. Sim, pois sem essas variantes de roteiro não tem história, certo? A blogueira salva o herói, com outro carro (já disse que ela é ricaça, certo?). Imagens de cidade computadorizada mal feitas, com recursos de animação fracos. Mas a vida segue. Ah, como você se livra de um veneno culinário? Simples: remedinho de Beladona (ou da flor sayão, sua avó sabe o que é #ficadica). E alguns socos, para você ficar esperto. E hipnose, para você acreditar que está tudo bem. Só isso. E você se salva.

Herói se machuca. Mentor fala para ele se cuidar. Herói não ouve. Herói deixa o mentor e resolve agir por contra própria, no estilo Prison Break. Um bar inteiro envenenado facilmente, e Summer Glau que não sabe andar direito. Bom, ao menos depois de fazer as pazes com o mentor, ele resolve corrigir um erro e usar a capa com a máscara. Muito bem! E, no fim, a cena clichê do herói solitário em cima do prédio.

Enfim, The Cape é isso. Se depois desse relato sincero você ainda quiser continuar na aventura do herói solitário com uma capa digitalizada mal feita, dando chutes se socos, o problema é seu. Faça por sua conta e risco. Para mim, The Cape é, sem medo de errar, uma das piores coisas já aprovadas pela NBC em todos os tempos. Chega a ser ofensivo de tão ruim que é, e volto a pergunta do título desse post: a quem a NBC está querendo enganar com esse tipo de série?