Nesse momento, existem milhares de pessoas ao redor do mundo fazendo o download das duas primeiras temporadas da aclamada série Game of Thrones (HBO). Até existem motivos justificáveis para isso: em muitos países (no Brasil, inclusive), os canais HBO são canais do grupo premium, ou seja, pertencentes aos pacotes mais caros de suas respectivas operadoras. E outra: muita gente não vai pagar para ver todo o conteúdo dos canais. Só quer ver Game of Thrones.

Mas isso não quer dizer algo ruim. Não quer dizer que as pessoas não estão dispostas a pagar pela série, ou que a série vai mal na audiência da TV. Isso, pelo menos na opinião de David Petrarca, um dos diretores da série. Para ele, a pirataria não arranha o sucesso da série. Pelo contrário: reforça como ela é bem sucedida junto às pessoas.

Petrarca deu a sua opinião sobre o assunto pirataria durante o Perth Writers Festival, em Perth (Austrália). O diretor afirmou que o fator pirataria para séries de TV não pode ser considerado algo negativo, uma vez que Game of Thrones capitaliza com isso o “buzz cultural”. Pode ser difícil para os mais conservadores compreenderem isso, mas em linhas gerais, a pirataria está ajudando a tornar a série maior dentro da cultura popular, se tornando famosa junto ao telespectador em um espectro mais amplo do que apenas assistindo a série pela televisão. E isso é maior que os números da audiência.

E Petrarca não deixa de ter razão. Game of Thrones foi a série mais baixada pelos internautas em 2012, o que quer dizer que tem muita gente assistindo a série. Na verdade, podemos até dizer que tem mais gente vendo a série via download do que aqueles que pagam todo um pacote de assinatura para ver a produção.

Independente do contexto que as pessoas vão dar às declarações de Petrarca, o efeito da pirataria é significativo para a popularidade da série, e para sua expansão junto aos telespectadores. Não precisamos ir muito longe: tem muita gente lá fora que nunca viu um episódio sequer de Game of Thrones, mas já usou o meme “Winter is Coming” em uma camiseta, adesivo de carro ou pela internet. E sabe o que significa por conversas com amigos ou familiares. Isso se chama cultura popular oblíqua. Quer mais sucesso que isso?

Nesse momento, existe um grande debate nos Estados Unidos para finalmente iniciar a oferta de pacotes “a la carte”, onde os assinantes poderão escolher os canais que quer assinar. O principal motivo para essa mudança acontecer está no argumento que o assinante não pode ser mais obrigado a assinar canais que não assiste ou não deseja. É um sistema de assinatura arcaico, principalmente em um mundo onde todo mundo pode escolher o que quer ver, na hora que quiser e no formato que quiser.

E quem mais pode se beneficiar com isso é justamente a HBO. Com a mudança, os valores tendem a ser mais competitivos, e como o canal conta com aquelas séries que muita gente quer ver, mas não tem grana para pagar, eles já saem na frente nessa nova proposta. É claro que nada disso ainda é real (tudo está na fase da conversa), mas não custa torcer para que isso aconteça por lá.