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Amigo leitor, não vou negar: tenho TV por assinatura em casa por dois motivos: 1) pela comodidade (de não sair correndo atrás de streaming em certas situações); e 2) porque na minha casa o sinal de TV não pega muito bem. O primeiro motivo existe desde 2000, quando usei o meu primeiro salário adquirir um equipamento de TV paga (DIRECTV… que saudades…). Agora o segundo… esse pode muito bem se encaixar em um dos motivos que se encaixam no novo perfil do consumidor de TV por assinatura no Brasil.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular revelou os hábitos dos usuários de TV por assinatura no Brasil. Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto, revelou um dado muito interessante, que explica muita coisa: 95% das novas assinaturas realizadas no Brasil estão em famílias das classes C e D, mostrando claramente que o perfil do consumidor de TV paga em nosso país mudou radicalmente.

Antes dos comentários, os fatos. O estudo foi encomendado pela associação NeoTV, que concentra um grupo de operadoras de TV por assinatura, e tem como objetivo compreender o mercado atual, até mesmo para centrar melhor os seus esforços. No estudo, 29% dos atuais assinantes de TV paga são “estreantes”, ou seja, estão no seu primeiro ano de assinatura, o que mostra claramente que o negócio não para de crescer por aqui.

Mas o dado que é o motivo do nosso post de hoje é que, de cada 100 novos clientes de TV paga, 95 pertencem às classes C e D. Mais: se somarmos todos os assinantes (veteranos e novatos), os clientes das classes C e D representam hoje 66% do total de assinantes de TV paga no Brasil. Alguns gargalos existem: segundo Meirelles, apenas 23% dos brasileiros classificados como classe média contam com algum serviço de TV por assinatura, e que em uma projeção para os próximos cinco anos, essa mesma classe média deve alcançar a classe A em número de assinantes, com um mercado potencial de 14.2 milhões de novas assinaturas.

Por fim, o estudo mostra que apenas 18% dos entrevistados abandonaram a TV aberta depois de contratar a TV paga. Os conteúdos mais procurados nos canais pagos são: filmes e séries (73%), notícias (57%), esportes (53%) e programas infantis (35%). 78% ainda contam com TV de tubo em casa, enquanto que 45% já possuem pelo menos uma TV de tela fina (LCD, LED ou Plasma).

Comentários? A seguir:

  1. TV por assinatura no Brasil, definitivamente, deixou de ser um negócio para a elite. Se popularizou. Algumas operadoras oferecem pacotes iniciais por R$ 39,90, e com certeza são os pacotes de entrada os mais vendidos hoje.
  2. As principais responsáveis pela expansão da TV paga nas classes C e D são as operadoras em DTH (Sky, Claro, Oi, etc), com um custo de instalação menor (quando não é zero) e maior possibilidade de penetração no interior do Brasil.
  3. As classes C e D movimentam R$ 1.5 trilhão por ano (dados de 2012), ou seja, é nesse segmento que as operadoras vão se focar.
  4. Como as classes C e D (em sua maioria) estão habituadas com filmes e séries dublados, temos aqui justificada a invasão da dublagem nos canais pagos. O problema é não oferecer uma opção alternativa para aqueles que preferem o áudio original dos programas.
  5. Se 78% dos assinantes pagam para ver TV por causa dos filmes e séries, está mais que na hora dos canais pagos insistirem em pontos que já discutimos aqui no SpinOff TV Series: reduzir a janela de exibição das séries em relação aos Estados Unidos, oferecer múltiplas opções para consumo dessas séries (dublado, legendado, áudio original, etc), entre outros fatores.
  6. 51% dos internautas brasileiros são das classes C e D. Porém, como ainda pagam para ver TV, esse segmento ainda não descobriu as “alternativas” para consumo de séries de TV. E mesmo que descubram, vão permanecer com a TV paga, pelo formato adotado hoje (canais com séries e filmes dublados).

Não vou mentir para vocês: eu me considero como classe C. Até porque o fato de ter um blog não me coloca na categoria daqueles que ganham R$ 80 mil com ele (alguns vão entender essa piada). Mas o estudo me fez refletir nessas questões, e compreender que a TV paga brasileira definitivamente entrou em uma nova fase. Deixou de ser algo elitizado, exclusivo ou “premium” para se popularizar. E isso não é ruim. Talvez o principal ponto negativo é que a TV paga brasileira deixou de ser aquela que conheci em 2000. Mas tudo nessa vida muda. Até mesmo o meu perfil em assistir TV mudou.

E não podemos dizer que é o fim do mundo, porque não é. É apenas o sinal dos novos tempos.

Com informações do site da EXAME.