LANDON GIMENEZ, FRANCES FISHER

Amanhã (18) é a sexta-feira da Paixão de Cristo, uma das datas mais importantes do Cristianismo. Mas como o SpinOff continua a ser um blog laico, vamos falar de um elemento que é comum a todas as religiões: a fé. E para se manter fiel ao assunto principal desse blog, vamos falar um pouco da fé nas séries de TV, como plot principal (e não aquela fé que espera que aquela série que não tem audiência seja renovada).

O tema aparece de tempos em algumas produções. Nesse exato momento, o caso mais destacado é o de Resurrection (ABC), que coloca os dois pés nesse aspecto. A história dos falecidos que voltam à vida – mas não são zumbis, que fique claro – lembra ao telespectador aquela questão considerada essencial para muitas pessoas: em quê vamos acreditar.

A fé é, basicamente, a capacidade do ser humano acreditar naquilo que não pode ser materialmente comprovado. Aquilo que é intangível ou imaterial, mas que mesmo assim acreditamos na sua existência, e vivenciamos aquilo que é uma teoria como prática. A mais clássica fé da história da humanidade é a fé em Deus. A esmagadora maioria das pessoas nunca viram Deus na sua frente. Mas acreditam nele.

A fé em nós mesmos é uma fé clássica. Muitas vezes não acreditamos na nossa capacidade de realizar algo considerado muito difícil, e superar dificuldades incomensuráveis. Mas temos fé que somos capazes. Essa é uma das mais interessantes formas de fé que existe, e por diversas vezes foi apresentada nas séries de TV. E nem precisa ser em séries que especificamente tratam desse tema.

Quando vejo Resurrection (que pelo alcance que teve pode ser considerada um sucesso nas noites de domingo para a ABC), eu confesso ficar fascinado com o fato de uma produção tratar disso de forma madura, oferecendo uma série para um público adulto pensar em uma hipótese que, em um mundo “normal”, é impossível. Quais são os casos de ressurreição que você ficou sabendo nos últimos 2014 anos? Poucos, certo? O mais famoso será lembrado no próximo domingo (20).

Não que outras produções que abordaram a questão da fé não tivessem sido tão interessantes quanto Resurrection. 7th Heaven (The WB/CW) (no Brasil, Sétimo Céu) foi um exemplo clássico de como uma série pode abordar esse tema de forma aceitável para o público alvo. E, pasmem: pelo menos por uma temporada, esse público estava no canal CW! #chocado

Também não posso me esquecer do ótimo exemplo deixado por Joan of Arcadia (CBS), que apesar de durar apenas duas temporadas, foi bem sucedida em apresentar a história da menina que via Deus em qualquer pessoa. Normalmente, as séries que abordam esse tema buscam um público mais adulto (e isso é confirmado pela elevada demo 18-49 anos de Resurrection), mas nesse caso – até mesmo pelo fato da protagonista ser uma adolescente -, os jovens foram atraídos pela produção.

Pena que Joan of Arcadia não teve essa audiência toda. Enfim…

De qualquer forma, independente daquilo que você acredita, a TV em alguns momentos nos lembra que temos que acreditar em alguém, ou em alguma coisa. Eu acredito que, em muitos momentos de nossas vidas, o verbo da vez precisa ser o “acreditar”. Seja para realizar algo que pareça ser impossível, seja para acreditar em nós mesmos, ou para que aquela série que só você assiste seja renovada.

Ter um pouco de fé não faz mal a ninguém.