Christina Applegate não foi a primeira, e provavelmente não será a última a abandonar uma série quando tudo está dando errado. Ainda mais quando falamos de uma série como Up All Night, que nunca foi lá grande coisa, e pelo visto, está condenada ao cancelamento (mesmo porque Will Arnett já negocia para participar de outra produção). Mas… será que estamos diante de uma nova tendência da TV norte-americana?

Aos fatos. Isso não vem de hoje. Desde que o mundo é mundo (e a TV é TV) que vemos astros saindo de algumas séries pelos mais diferentes motivos. Um caso emblemático foi o de Shelley Long, que formou com Ted Danson um dos casais “queridinhos da América”, com Diane e Sam em Cheers (NBC). Shelley abandonou a produção por entender que ela já era maior que a série, e por achar que poderia conduzir uma carreira de forma independente, e fazendo outros tipos de trabalhos. O tempo provou o quão ela está errada. Ah, e só para você saber de quem eu estou falando, ela é a primeira esposa de Jay Prichett em Modern Family (ABC).

Em That 70’s Show (Fox), Topher Grace e Ashton Kuthcer tomaram a mesma decisão, e descaracterizaram completamente a comédia do canal da raposa. Até Bruce Willis tocou as temporadas finais de Moonlighting (ABC) com a barriga, pois estava com a cabeça nos filmes Duro de Matar. Logo, podemos ver que a tática não é nova.

Por outro lado, observamos que isso está se tornando ainda mais comum nos últimos tempos. Séries que estão com os seus dias contados, ou com uma audiência abaixo da média sofrem de desfalques inesperados, ou por iniciativa do elenco, ou por conta das famosas “divergências criativas”. Dois casos da própria NBC corroboram para essa teoria: a própria Up All Night e Community.

As duas séries perderam os seus criadores/showrunners. Ou foram dispensados pelas tais divergências, ou pediram para sair por conta delas. Independente do motivo, os desfalques são consideráveis para as duas, e as produções começam a sentir as consequências disso. A comédia de Lorne Michaels teve sua encomenda de episódios a produzir para apenas um episódio no formato multicâmera (sitcom clássica), e com a saída de Applegate, eles não sabem direito o que fazer.

Community perdeu Dan Harmon, e parece que perdeu a alma junto. Depois dos três primeiros episódios vistos da comédia da NBC, tenho a sensação clara que toda a graça e inteligência da série foi embora com Dan, e a mesma consegue ficar pior que a fraquíssima primeira temporada. Mais: Ken Jeong já começa a negociar com outras produções, o que é mais um indício claro que esse é mesmo o último ano de universidade comunitária de Jeff Winger e sua turma. Aliás, só não vê isso quem não quer.

Algumas séries que sofrem de debandadas ainda conseguem sobreviver por mais algum tempo, mas se não souberem como fazer, acabam caindo no limbo. Um exemplo de uma série que se salvou foi The Walking Dead (AMC), que mesmo sem Frank Darambont envolvido no projeto, ainda consegue entregar uma história de alta qualidade e envolvimento.

The Office (NBC), que sofreu baixas diversas como Steve Carell, Mindy Kaling e B. J. Novak, só sobreviveu por mais duas temporadas porque praticamente todo o elenco assumiu a produção executiva da série. E, mesmo assim, se perdeu, com um inútil Robert California e um Andy (Ed Helms) que é chefe, mas não aparece na série há quase 10 episódios.

Olha só… no final das contas, o mundo da TV não é tão diferente do mundo real. Muita gente acaba pulando fora do barco quando ele está afundando. A diferença é que nós não podemos simplesmente virar as costas para a maioria das coisas que nos desagradam. Já atores, atrizes, produtores e roteiristas podem mandar um comunicado via assessoria de imprensa dizendo “foi muito bom, vou sentir saudades de todos, espero que a produção continue firme e forte, mas vou procurar novos objetivos na vida”. OUCH!