Tenha fé. Um pai nunca abandona seus filhos.

Assisti A Cabana em uma sexta-feira santa. E esse foi o melhor dia que eu poderia assistir esse filme. Em uma narrativa que coloca o espectador para fazer uma reflexão em posturas, pensamentos e atitudes, o filme é perfeito na história que quer contar. O espectador claramente entende qual é o recado. A não ser que a pessoa em questão caiu em sono profundo ao longo do filme. Algo muito difícil, uma vez que sua trama é envolvente. E… mesmo assim….

A Cabana é baseada na obra de William P. Young, de mesmo nome. Eu ouvi muita gente comentar muito bem sobre o livro, que de fato é um sucesso de vendas. Logo, não iria estranhar se a história apresentasse uma consistência na sua ideia geral. Apesar de ficar um pouco com o pé atrás. Sabe como é… tem gente que acha as franquias Crepúsculo e Fifty Shades uma maravilha.

De qualquer forma, eu fui assistir ao filme de coração aberto, e confiante de que receberia uma boa história. E foi exatamente isso o que aconteceu.

 

 

Eu compreendo eventuais críticas que o filme vai receber, onde muito provavelmente algumas pessoas vão afirmar que o roteiro deixou passagens importantes da jornada de retomada de fé e perdão de Mack Phillips (Sam Worthington) de lado.

Por outro lado, temos que lembrar para essas mesmas pessoas que estamos falando de cinema. Já é bem difícil adaptar qualquer coisa de uma mídia para outra (se bem que showrunners e roteiristas são muito bem pagos para fazer esse trabalho sujo). Fica mais complicado ainda resumir uma obra literária extensa em um filme com 2h13 minutos de duração.

Mesmo assim, compreendo que o essencial dessa jornada está no filme. Stuart Hazeldine optou por contar os pontos mais importantes do final de semana que mudou a vida de Mack, e deu o merecido destaque para a importância desses momentos, e em como eles são relevantes para a reforma íntima desse protagonista.

Partindo desse princípio, podemos concluir que o roteiro do filme é muito competente, pois narra uma história que é tão envolvente quanto o livro, de forma reduzida, e pensado no público do cinema. Consegue emocionar na medida certa, onde obviamente os mais sensíveis serão tocados de forma mais profunda, e as lágrimas acabam sendo inevitáveis.

Mas filmes como esse tem como missão maior fazer com que a pessoa saia da sala de cinema repensando suas atitudes internas. Vai muito além do emocionar. Filmes assim querem ajudar as pessoas a crescerem.

 

 

Não é nenhum exagero.

A Cabana é um filme que faz você repensas posturas e posicionamentos na sua vida pessoal. Relembra sobre a importância do perdão em nossas vidas. Aliás, lembra algo que sempre acreditei como uma verdade, mas que muitos “ofendidos” afirmavam que “eu não sabia perdoar”: PERDOAR NÃO SIGNIFICA ESQUECER, mas sim NÃO MAIS DESEJAR O MAL PARA QUEM TE FERIU.

Você não volta a ser amiguinho de quem te ferrou, mas sua vontade de esganá-lo passa. Você esquece a mágoa, o lixo interno que te faz mal. E segue em frente.

Mack precisava aprender a perdoar. Perdoar a si, ao seu passado, ao seu presente. É um longo exercício de perdão que ele só compreenderia se recobrasse a fé naquele que ele sempre acreditou ser um ser de justiça e bondade, mas que ele acusa de ter abandonado sua filha quando ela mais precisou.

A Cabana também relembra sobre os perigos de julgar aqueles que nos machucam. Ou de condenar Deus pelas coisas que acontecem. Aliás, entender que Deus “decide” por tudo ou “escolhe” quem vive ou morre é um grande erro. Quando nos colocamos nesse papel, e nos vemos obrigados a fazer escolhas semelhantes, entendemos que esse mesmo Deus “punitivo” não existe.

O filme deixa isso bem claro, e considero essa uma das passagens mais importantes no processo de redenção de Mack.

E sim… eu quero Octavia Spencer como Deus sempre.

Alguém sensível, humana, bondosa… alguém que dá vontade de abraçar da primeira até a última cena do filme.

 

 

A Cabana pode parecer uma história piegas para muita gente. De certo modo, é. Muito provavelmente veremos esse filme na Sessão da Tarde daqui a dez anos. Mesmo assim, é um filme que funciona, e isso é o que importa.

Oferece algo além do entretenimento e da bela arte da interpretação ou ficção. Entrega mensagens edificantes em tempos tão conturbados. Não é um filme religioso, mas fala de fé. Fala de perdão. Fala de auto-conhecimento.

Se sua mente e seu coração estiverem abertos a receber as lições desse filme, você pode ter certeza que vai sair da sala do cinema no mínimo pensando muito em como você está se posicionando na vida. Se suas posturas com o próximo são as mais acertadas, se já não está na hora de você perdoar aquele desafeto. Ou se não é hora de você se perdoar e seguir em frente.

Obras como essa tem valores pontuais e inestimáveis. E torço, de verdade, para que ele alcance ao maior número de pessoas possível.

Ver filmes como esse alimentam a alma. E justificam por que eu decidi escrever sobre entretenimento na internet.