Não julgue pelas aparências. E aprenda a enxergar a beleza interior das pessoas.

São lições tão triviais que nos esquecemos no dia a dia maluco em que vivemos. Aliás, alguns de nós simplesmente nem se lembram. Em tempos onde as redes sociais aproximam as pessoas de diferentes lugares, nos tornamos mais e mais individualistas, acreditando que a melhor forma de sermos vistos e notados é através da venda de nossa aparência. Todo mundo quer brilhar. Todo mundo quer destaque. Mas não quer se relacionar com o próximo para isso.

Por conta disso, filmes como A Bela e a Fera são necessários nos dias de hoje.

Pode parecer uma história de fantasia banal, um romance “mela cueca” sem sal, ou um musical onde pelo simples fato das pessoas começarem a cantar do nada não faz o menor sentido.

Mesmo assim… estamos diante de mais um filme onde lições são oferecidas para públicos de todas as idades, da primeira até a última cena. Cabe ao telespectador mais atento perceber essas lições e assimilar cada uma delas. Independente do nível de entendimento e discernimento da cada um, entendo que é impossível não perceber quais são as reais histórias que esse filme conta.

De forma sutil. Bem sutil.

 

A Bela e a Fera de 2017 é muito próximo da animação de 1991, e digo isso no roteiro apresentado. A história é a mesma que a maioria das pessoas conhece: um príncipe muito egocêntrico e narcisista é amaldiçoado por uma bruxa, que o transforma em uma fera horripilante. O príncipe se tornará assim até que alguém o ame de verdade, enxergando a sua beleza interior. Os convidados da festa que o príncipe estava dando no dia dessa tragédia se transformaram em objetos dos mais diversos formatos.

Uma rosa vermelha serve para contar o tempo dessa maldição. Quando a última pétala cair da rosa, ele e todas as pessoas que estavam no castelo no dia em que a maldição foi aplicada ficam exatamente como estão. Para sempre.

Do outro lado da ponta dessa história temos Bela, que também é julgada pelas aparências. Por ser diferente de todos do vilarejo onde vive, é estigmatizada e descriminada. Sim, porque em uma vila de medíocres ela era vista como a esquisita por gostar de leitura. E isso é tão comum nos dias de hoje, que nem precisa de conto de fadas para ilustrar.

Essas duas almas tentando encontrar seus caminhos acabam tendo seus caminhos cruzados, onde se conhecem, se descobrem e se redescobrem em suas respectivas existências. Os dois se libertam de suas amarras internas, se tornando felizes para sempre.

 

 

Não é spoiler dizer que tudo termina bem no final. Afinal de contas, essa é uma história de amor que a grande maioria já conhece o fim. Talvez a grande graça esteja mesmo na possibilidade de recontar essa história, e fazer com que todos se sensibilizem com ela novamente.

Eu confesso que torci o nariz quando soube da notícia de um remake de A Bela e a Fera. Eu sou um daqueles que acreditam que a criatividade definitivamente acabou no mundo do entretenimento, e queria ver coisas novas. Histórias novas.

Porém, A Bela e a Fera vale o ingresso. Visualmente, o filme é embasbacante, e fortíssimo candidato ao Oscar 2018 nas categorias técnicas. Os efeitos visuais são excelentes, com uma quantidade enorme de computação gráfica em praticamente todo o filme. E a melhor parte disso é que a gente sabia que todo aquele mundo era feito no computador, mas o resultado foi tão bom que se tornou crível. E desse jeito vale a pena ver um filme com um monte de efeitos visuais.

O elenco do filme é ótimo, e Emma Stone está realmente muito bem no papel de Bela. Sem exagerar, sem ser apagada demais. Foi uma protagonista na medida certa.

Sobre o roteiro do filme, não há muito o que dizer. Não tem muito como errar quando você já tem como base um filme de 1991 que é um dos maiores sucessos de bilheteria da Disney. É possível ver algumas referências a outros filmes clássicos de Hollywood, mas nada que seja algo realmente surpreendente nessa trama. O que não é ruim nesse caso, já que segue muito bem a fórmula de não mexer naquilo que funciona bem.

 

 

Mas confesso que saí do cinema satisfeito com A Bela e a Fera. É um filme feito para todas as idades, e qualquer pessoa pode assistir sem maiores problemas. Só fico mesmo na torcida para que aqueles que estiverem com a mente mais aberta e atenta que efetivamente procurem assimilar as lições passadas pelo filme. Aliás, não apenas passem essa lição adiante, mas pratiquem essa lição na sua vida prática.

Às vezes ser diferente na vida não é uma culpa sua. E nem culpa do meio. Hoje, sabemos que ser diferente quer dizer também ser especial, diferenciado, à frente do seu tempo. Logo, se as pessoas criticarem você porque você não segue os padrões previamente estabelecidos por elas, não se preocupe: você é um privilegiado que pensa fora da caixa, olha os olhos com outro mundo e se destaca no meio por pensar e agir diferente.

E, é claro… jamais julgue pelas aparências.

O que a pessoa é por fora não é necessariamente o que ela é por dentro. Infelizmente, o ser humano coloca rótulos nas pessoas para se sentirem melhor diante daqueles que pensam da mesma forma que ele. Logo, procure olhar para as pessoas com um olhar de humanidade, sem antecipar conceitos apenas se baseando na sua beleza exterior (ou falta dela), roupa que veste, cor da pele ou qualquer outra coisa que diferencie aquela pessoa do padrão.

Até porque viver em padrões é algo bem chato.

 

Sim, amigos… A Bela e a Fera é bem vindo em 2017. Para lembrar para a geração que adora ficar curtindo fotos no Instagram ou vídeos rápidos no Snapchat que a verdadeira beleza do ser está por dentro. E sempre estará.

Até porque beleza é algo que vai embora com o passar do tempo.